Depois da noite em que o Brasil parou para assistir à vitória surpreendente (quem diria?) da seleção brasileira sobre a invencível (pelo menos era o que se pensava), seleção espanhola; nesta manhã de segunda-feira estamos como se diria na Espanha "a cá" novamente parados. Mas desta vez para assistir ao triste, cansativo e perigoso confronto de duas seleções que mais uma vez se enfrentam: a rica e poderosa seleção dos donos de empreses de transporte coletivo contra a persistente seleção dos motoristas e cobradores. Os motoristas vieram a campo neste primeiro dia de disputa com seu segundo padrão ou seja, à paisana. Isto os que vieram à campo pois em muitos casos (ou carros), quem entrou em campo foram os reservas, que aliás digo assim de passagem, às vezes deixam a clara impressão que nem são profissionais estão mais para peladeiro de fim de semana. É um tal de arranhar marcha, freiada brusca do tipo "lambe para-brisa", arrancada quebra-pescoço, curvas mais fechadas que porta de político eleito na cara de eleitor pedinte, e quando por azar um quebra- molas resolve aparecer "de repente" bem na frente do ônibus? ai não tem pra ninguém, a pelada vira rodeio. Nem montar em touro bravo é tão emocionante, seguuuuuuura peãããããooooooo!!!! e como não podia deixar de ser, tem que ter aquele gaiato para gritar " Pisa motô que ai na frente tem mais um!" Enquanto rola toda essa diversão, nas ruas, paradas e terminais o clima não é tão animado. Fila nem alemão, ordem só na bandeira no mastro, ônibus com assento, só no nome. É jogo de mata-mata. Você morre de cansaço, ou de sono, de fome, espremido. Pode também morrer de esperar ou morrer , de raiva. Fica à gosto do freguês. Nessa festa do cão o lema é aquele: "Quem está fora não entra e quem está dentro não sai". A seleção dos empresários por sua vez joga na retranca, intocados feito jacaré em lagoa, só com os "zóinhos"de fora, e não tão nem aí pra pressão da torcida. As más línguas dizem que o jogo foi comprado, algum juiz diz que a greve é ilegal e que a regra é clara, tem que continuar rodando 80% da frota. As torcidas organizadas do sindicato fazem barulho, quebra-quebra e chamam o juiz de ladrão. Isso quando não xingam a pobre mãe do coitado probrezinha da dona Dilma. No final do jogo, miraculosamente as duas seleções saem ganhando enquanto quem pagou, paga e pagará pelo ingresso (que alás acaba sempre aumentando) é quem sai perdendo. De novo. Oooooolllééééééééé!!!!!!
Saulo Rodrigues 
|