Agora pare e, como se diria no matinal Telecurso 2000, "Vamos pensar um pouco": Você realmente sai da sua casa, pega ônibus, trem ou enfrenta um trânsito miserável num calor de lascar, paga seus pecados de um ano, numa fila que mais parece fila de porta de lotérica em dia de mega-sena acumulada, tudo isso por que quer? Ou será que você é tão normal como eu e, ao menos por um milésimo de segundo, pensou:" Droga! Tenho que ir pra'quela pinoia!!!" Note que eu estou sendo bastante brando ao usar aqui o droga e o pinoia, tenho certeza que o que você já pensou foi muito pior que isto.
E eles é claro, ainda fazem questão de a todo instante nos lembrar que quem não cumpre com suas obrigações com a Justiça Eleitoral perde muitos dos seus direitos. Por exemplo não pode concorrer a empregos em concursos públicos, e ter acesso a projetos e programas do governo, isto sem falar nas multas. E ainda tem um abestalhado ou outro que ainda me diz:" Eu tenho o direito sim! se eu não quiser votar em ninguém eu não voto, é só apertar o botão branco e pronto." Dá-me paciência Senhor!!! ... Criatura, eu não estou falando de apertar um botão, dois ou dez! Estou falando que de todo jeito você tem que ir lá apertar os danados! Direito seria você poder dizer "Vou porque eu quero, se eu não for não serei punido". Assim é em alguns países (obviamente, os desenvolvidos), ode a cédula eleitoral é enviada até pelos correios para o eleitor, que preenche a dita cuja, envia de volta e pronto. Exerceu o seu direito.
O Problema é que o brasileiro saiu direto da ditadura do "não pode votar" para a ditadura do "tem que voltar". Como alguém que namora (se é que hoje em dia alguém ainda namora), come a sobre-mesa antes do almoço se é que vocês me entendem, e aí chega um neném. Pois bem, eles vão ter que aprender a ser pai e mãe sem ao menos saber o que é ser marido e mulher. E é claro que isto não dá certo. É só vocês darem uma olhada em volta e vão perceber que os casamentos não chegam mais às quase lendárias Bodas de Ouro. Pra compensar ou pra tentar comemorar alguma coisa inventaram aí umas bodas "malasombradas" como de papel, de palha e papoula. Mas isso é assunto para outro dia (me cobrem).
É claro que os políticos e partidos sabem que se o voto fosse facultativo, muitos de nós não votariam e por conseguinte, poucos deles seriam eleitos.
Enfim, a questão é simples assim, Direito não é obrigação, e obrigar não é direito.
Saulo Rodrigues.